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terça-feira, 11 de novembro de 2014

No limite



Estou no limite, sempre.
Estou no limite do tempo,
Sempre
Prestes a estar ausente do presente.

Quisera o passado antecipado
Ou o presente, sempre, adiado;
Quisera a vida na morte projetada.
Quisera o mistério decifrado
E o peso nos ombros, e o dorso quebrado.

Pra que seguir a vida, perseguir, se somos levados?
Pra que correr?
No fim ficamos inertes, pra sempre,
Presentes
Ausentes
Parados.

Quero beber
A sobriedade é o que mais me embriaga.
Por que é que dói tanto
Querer chorar quando não se tem mais pranto,
Querer sorrir quando não se vê encanto, exceto no estranho prazer da dor do desencanto?

Viver é como ser duplo: alvo e veneno na ponta da lança.
Ás vezes se é tempo
Percurso
Noite/dia, dia/noite;

Feixe de luz enquanto o sol descansa.


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